Na saída do cinema, estacionamento do shopping, verifico que estou caminhando um pouco atrás de uma mãe que segura pelas mãos um menininho bem pequeno. Eles passam ao lado de uma motocicleta vermelha enorme e reluzente. O garotinho olha aquilo, tentando segurar o passo enquanto sua mãe se esforça para apressá-lo.
— Olha mãe ... que moto linda! Vermelhinha!
— É linda sim. Mas você sabe que isto é perigoso não sabe?
— Eu sei, é perigoso. Outro dia sonhei que estava andando de moto.
— Que legal. Mas você tem que prometer para a mamãe que nunca vai fazer isto de verdade, tá bom?
— Ah não, mãe. Nunca vou fazer. Mas no meu sonho eu vinha correndo muito, o ar ia batendo no meu rosto...
— O perigo da moto, você sabe, é que ela só tem duas rodas. Motos caem. As pessoas caem e batem a cabeça!
— É mesmo, mãe. Batem a cabeça. Mas no meu sonho eu estava usando um capacete muito duro e não tinha perigo nenhum.
— Os outros motoristas não respeitam as motos. E os motoqueiros não respeitam o trânsito, também.
— É...! Quando eu sonho com motos eu sempre piloto direitinho. E os outros motoristas me respeitam.
— Bom, mas você promete ...
E os dois se afastaram até que não pude mais registrar o diálogo.
Neste estacionamento e em outros, aqui e em outras partes, pais e mães levam de mãos dadas seus menininhos e menininhas, sabendo que, para eles, o estacionamento é enorme mas fascinante, e um pouco amedrontador. Ali existem perigos e muitas, mas muitas, motos vermelhas e brilhantes!