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Internet, redes sociais e transformação

03/09/2011

Diversos Autores

O seguinte vídeo, postado no YouTube, deu início a um debate, como se segue abaixo. O texto foi um pouco editado para extrair partes informais e comentários de natureza pessoal. O debate se deu na página do COLTEC, Facebook.

rllRLL: Na opinião de vocês, qual a mensagem central deste vídeo?
gssGSS: A mensagem central, na minha opinião: em qualquer lugar, qualquer pais, qualquer cultura, existe música, arte e beleza! A internet pode e deve ser um mecanismo de mudança para melhor! Arte, música, curtição amizade, cultura na cabeça de todos!
rllRLL: Bingo! E como poderemos interferir afirmativamente sobre a realidade social, além das artes e das redes sociais?
fsfFSF: Assino em baixo. Por isso comentei: "As redes sociais foram criadas com base em compartilhar informações. Elas possibilitam essa ação imediata e exponencial sobre qualquer assunto, seja uma notícia de jornal ou uma catástrofe ambiental".
gssGSS: E como podemos interferir afirmativamente sobre a realidade social, além das artes e das redes sociais? Não me parece uma coisa simples.
rllRLL: Simplesmente transformando toda a energia potencial das redes sociais em ação social. Exemplo: As praças públicas de determidada cidade estão degradadas; como um grande grupo identificado com aquela cidade poderá interferir afirmativamente na mudança deste quadro e na melhoria das condições de vida dos seus usuários? E por aí afora.... O que vocês acham disto?
transforma
sbSB: Pessoal, aqui na espanha esse papo é sério. As pesquisas acadêmicas (em educação e sociologia) sobre as redes sociais na web, a internet como acesso a tudo e também, e principalmente, na ação. Vejam que toda a movimentação dos "indignados" partiu e se estruturou a partir de redes sociais, levando milhares de pessoas às praças de todo o país, questionando o sistema financeiro, os agentes partidários e a própria formatação da democracia meramente formal. Obrigando a grande imprensa a noticiar esse debate, o que não é pouco! Mas a Espanha é um dos países europeus em que a juventude está mais conectada na internet. Não sei se o mesmo ocorre no Brasil...

sbSB: Aí o cartaz do movimento Juventud sin Futuro, super interessante, também organizado a partir da web. Bela denúncia e bela organização de reivindicações, além do papel de formador dor próprios jovens.
sbSB: Aproveitando pra lembrar de mais um fenômeno recente da internet, com inúmeras repercussões na vida política do país. Seríssimo. Como diz Caetano: "E aquilo que nesse momento se revelará aos povos surpreenderá a todos, não por ser exótico mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio". (SB enviou um link para o vídeo da profa. Amanda Gurgel, reproduzido neste site).
gssGSS: O vídeo da professora foi muito divulgado por aqui. No meu ponto de vista há um problema, no entanto. Ela é do PSTU. Não tenho nada contra o PSTU, mas tenho muito contra a estrutura partidária atual. Temos que ir além desta estrutura de partidos, de políticos e líderes que são os "chefes", que decidem pelos demais. Não quero que decidam por mim. Não confio em nenhum partido brasileiro existente e acredito que, por definição, políticos são pessoas pouco confiáveis.
fsfFSF: Quando falo de "país podre" é por ai pessoal. O país foi tomado pelos Portugueses e entregue aos "ratos do porão", aos cuidados de um bando de escravos desorientados, desorganizados, magoados e famintos. Deu no que deu.
Nota: Foi mencionado em alguma parte que o movimento hippie foi um exemplo de movimento de base e raiz, com pretensões para alterar fortemente o pensamento e o rumo da sociedade. O movimento, no entanto, falhou ao não conseguir romper com as estruturas mais arraigadas do pensamento e comportamento social.
fsfFSF: A situação atual não é fruto do movimento hippie, que só serviu de "doce veneno do escorpião", numa determinada época para um determinado fim. Como tantos outros que podem ser facilmente identificados ao longo da nossa história.
sbSB: G., de fato, política partidária é dureza! Sem ela, nada se organiza, com ela, tudo se corrompe em ganância e/ou vaidades pessoais. De minha parte ainda guardo alguma esperança nos movimentos civis!
avAV: Os políticos (e os partidos) que temos são os possíveis, pelas nossas leis. Que são feitas pelos políticos que temos. Para mudá-las, só os políticos (esses, que temos). E os bons preferem ficar fora. Claro. Sobram os ruins, e uns poucos bons, que vivem sendo derrotados, são poucos. As mudanças são lentas. Mas circular informação é essencial, ajuda demais. E loucuras acontecem, quem diria que o Tiririca ia ser considerado o único deputado "limpo" do PR???
sbSPP: Em primeiro lugar, a música, o tema e arranjos estão. SHOW! Depois na mensagem central é que o todo é composto de cada hum de nós, seja onde for, como for, juntos sempre faremos a diferença.
avAV: Acho que resta espaço para continuar reflexão. Por exemplo, já fiquei com vontade de defender que a internet é um instrumento do jovem de hoje, sem a aura que tem para nós jovens de ontem, e que precisamos é acompanhar esse uso, por que o considero irreversível e meio anárquico. E como para todo animal, a vida, seus instrumentos e o uso deles é 99,9% fruição e 0,1% construção. A internet vai, acho,replicar isso.
sbSB: Olha, espero não me repetir: potencial a net tem, sim, e as artes (como esse vídeo) sempre foram um campo de vanguarda, apontando para o futuro, né? Por isso precisamos tanto aprender a ser apreciadores delas. Mas daí o que se faz e o que se fará com a rede é um brutal desafio pra quem tem pretensões democráticas (democracia pra mim, começa com democracia de direitos sociais: renda, moradia, saúde, educação, transporte, acesso aos bens culturais).
A net exige, cada vez mais, a capacidade de escolha. Aqui na Espanha vi a discussão da questão da atenção: quem está captando nossa atenção? Esse seria o maior bem da sociedade da informação: nossa atenção. A que as pessoas estão dedicando sua atenção? Quantos por cento dos internautas têm acesso às informações que de fato importam e impactam a sua qualidade de vida? Informações sobre direitos do consumidor, instrumentos de defesa desses e de outros direitos, informações sobre leis que estão sendo votadas, recursos que estão sendo ou não empregados, sobre as possibilidades de um sistema de saúde ou educacional de qualidade...enfim...
A maioria dos internautas ainda dedica seu tempo exclusivamente a entretenimento da pior qualidade. As informações controladas pela indústria cultural. Tudo bem, viva o entretenimento, mas nosso tempo é curto, MUITO curto, porque a estrutura da sociedade (cidades, trabalho, transportes) fica com quase todo ele, nos resta pouco e saber administrar esse tempo reduzido sobre o qual temos poder(zinho) é um desafio gigante. Além disso, saber escolher, saber acessar, saber até que existe, para ser procurado: tudo isso demanda uma formação de base, uma educação geral de base, que dê a todos os cidadãos uma visão ampla do conhecimento humano para que, a partir desse índice geral, se possa buscar o que se quer. Resumindo: o instrumento tecnológico está aí, maravilhoso, mas a capacidade do cidadão comum de usá-lo em seu benefício e em benefício do aprimoramento da vida coletiva ainda é um desafio no qual mal começamos a engatinhar.
gssGSS: Quando a gente pensa que as mudanças são lentas demais, basta lembrar que a 500-600 anos atrás a humanidade atravessava a idade das trevas. As mudanças não são lentas (exceto talvez em relação à extensão de 70 a 80 anos de nossa vida individual).
fsfFSF: Os dois vídeos aqui exibidos registram que a manifestação artística, a expressão artística, a música (fruto da harmonia de vários instrumentos com a voz ou não), está presente, também, no meio do povo, independente dessa ser ligada a mídia comercial ou gravadoras que dominam o mercado.
A INTERNET mostra que existe arte fora do circuito comercial; abre uma janela (mídia) para mostrar, não divulgar com fins comerciais, talentos. Artistas, músicos, que tocam com o coração, que tocam com a alma, que tocam com amor. A edição mostra que é possível integrar esses artistas, que pode criar-se harmonia mesmo que esse conjunto de pessoas estejam distantes. O "maestro virtual" compõem uma sinfonia agradável, possível graças à tecnologia.
As Redes Sociais contribuem para disseminação desse trabalho, até então inédito. As Redes Sociais são ambientes verdadeiramente democráticos, onde o cidadão tem opção de assistir, avaliar, criticar, elogiar, registrar sua participação, se achar que deve. O indivíduo faz a escolha. A responsabilidade é de cada um. Participa se quiser. Trata-se de uma oportunidade para por em prática o livre arbítrio sem nenhuma complicação. Não é preciso ser "culto", participar do "trade", ser membro da "academia". Rede Social é o ambiente ideal para as manifestações populares, para integração das diversas culturas. Pode, também, claro, ser uma fonte de disseminação do "mal", da mediocridade, do medo, da doutrinação. Mas o Indivíduo escolhe. Vamos aguardar o resultado da normatização, das leis, dos procedimentos, que inevitavelmente virão para conter o agrupamento popular. As estratégias para cercear o desenvolvimento de Grupos potencialmente transformadores e formadores de opinião e de uma cultura já está em prática. O negócio é esperar para ver: a democracia plena, experimentada na INTERNET, sobreviverá à essas estratégias do PODER?
gssGSS: Pois é Sabino,
tenho grandes esperanças de que a divulgação do conhecimento, a difusão direta das notícias, idéias e novas propostas, façam grande diferença no mundo em um futuro próximo!
Por enquanto esta influência está apenas nascendo e ninguém pode afirmar o contrário. Temos que fazer a nossa parte para manter um conteúdo de nível.

A importância das redes sociais na (trans)formação dos vínculos

Renato Lourenço de Lima


Comprometi-me com um grande amigo de infância e adolescência, daqueles que nos acompanham, mesmo que distantes, a vida toda, a escrever algo para o seu site phylos. net, que pudesse merecer alguns minutos de leitura e dias de reflexão:como não podia deixar de ser, o tema acordado foi “A importância das redes sociais na (trans)formação dos vínculos”.

Todas as redes, até a de dormir já são envolventes, não é mesmo? As sociais, então, além de envolventes, nos inundam, de memórias, até de saudades e também de possíveis desfechos para eventuais reaproximações. A maioria deles, fantasiosos; mas no íntimo continuamos esperançosos de mais alguma grande realização, fazendo e estando na companhia daqueles seres que à distância, nos miram com ares de paciência, admiração e mesmo alguma confiança.

Tem gente da mesma família nuclear se reencontrando depois de quase 50 anos de distanciamento, pelos cabos da Internet; gente se aglutinando e reaglutinando em todos os cantos do mundo, pelos mesmos meios, simplesmente pelo prazer em voltar a fazer parte do grupo original, na razão inversa dos fios dos cabelos, porque algo de muito valor é agora possível, por obra do acesso virtual; além de mensagens escritas e imagens, emoções são inevitavelmente transportadas...

Alguém poderá me perguntar aonde desejo chegar com tais declarações e até obviedades:

Respondo: resgatar relações primais, muitas inacessíveis no plano consciente, oriundas de nossos colos parentais; hoje sabemos o efeito delas, ao longo da vida. A segurança, o prazer, o reforço da razão de existir...e por que não o contrário, da nossa importância aos outros!

O que fazemos diariamente com nossos dispositivos de comunicação virtual reproduzem aquela forma analógica de aproximação e produção de significados.

Portanto, aí vai mais uma homenagem à tecnologia que reacende a emoção.


Renato Lourenço de Lima é médico-pediatra, domiciliado em Brasília. Texto enviado em 07/8/2011.

Participaram do debate, até o momento: Renato Lourenço de Lima, Fernando Sabino de Freitas, Suzana Burnier, Augusto Vanucci, Sidney Pimenta Paiva e Guilherme Santos Silva.

Um novo paradigma de sociedade

Você tem alguma dúvida sobre a capacidade da internet e novas tecnologias em unir as pessoas e promover um novo paradigma de sociedade? Assista o vídeo à esquerda.

Aproveite para conhecer o site TED Talks. Algumas conferências foram traduzidas para o português.

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