As funções exponencial e logaritmo são utilizadas com frequência na solução de equações diferenciais. Elas podem ser definidas de várias formas.
Por exemplo, o logaritmo neperiano (de base e) é a área sob o gráfico da função 1/x de x' = 1 até
x, ou seja
Observamos desta definição que ln 1 = 0, que o logaritmo é uma função estritamente crescente e não está definida em x = 0.
A função exponencial, exp(x) = ex, é a inversa do logaritmo, ou seja,

Podemos usar as propriedades da exponencial para nos lembrar de algumas propriedades do logaritmo: observando que as seguintes igualdades são equivalentes
tomamos a raiz enésima dos dois lados . Portanto
Além disto, se
então
e, portanto
Observe ainda que
A partir da exponencial definimos as funções seno hiperbólico e cosseno hiperbólico da seguinte forma
Observe que é uma função ímpar enquanto é par.
Exercício: Mostre que valem as seguintes relações:
A fórmula de Euler, que usaremos com frequência ao longo do texto, pode ser justificada da seguinte maneira: partimos da
expansão de Taylor para as funções exponencial, seno e cosseno, válidas para todo x real:
Em seguida fazemos x = iθ na expansão da exponencial, para obter
onde usamos o fato de que etc. Agrupando os termos reais e imaginários temos
ou seja,
Desta forma podemos definir a função exponencial de um número complexo qualquer, z = x + iy
φ como
Dizemos que é uma primitiva de se
A diferencial da função F
é definida como
Se F é primitiva de f definimos a integral de f(x) como
onde c é uma constante qualquer. Esta constante, a chamada constante de integração,
é essencial na solução de equações diferenciais. Observe que, se F(x) é uma primitiva,
F(x) + c também é. Algumas integrais mais simples podem ser calculadas
por simples inspecção, se conhecemos uma primitiva do integrando.
Por exemplo
Outros exemplos
Mudança de Variáveis: Algumas vezes uma integral pode ser colocada sob a forma de uma integral conhecida ou tabelada através de uma substituição de variáveis. Por exemplo, para calcular a integral
fazemos a substituição .
A diferencial de u é .
Resolvemos a integral em termos da variável u
e, em seguida, reinserimos a variável inicial
Como outro exemplo, calculamos a integral
através da troca de variável, , portanto . Escrevendo a integral em termos da nova variável temos
Outro exemplo:
Faça . A integral é
Integração por partes: Se e são funções deriváveis então vale a relação
Para compreender esta expressão basta integrar a diferencial de
Vamos usar esta relação para calcular a seguinte integral
Identificando u e v da seguinte forma,
temos
Outro exemplo: para calcular
identificamos agora as funções
Usando a fórmula para a integração por partes temos
onde trataremos a integral, mais uma vez, por partes, fazendo
Agora temos
ou, observando que a última integral é exatamente a integral que procuramos resolver,
Isto nos permite concluir que
Frações Parciais: A técnica de frações parciais pode ser bastante útil em várias situações. Ela consiste em modificar o integrando, quando possível, para reescrevê-lo sob a forma de uma soma de frações mais simples de serem integradas. Por exemplo, vamos calcular a integral
Reescrevemos o integrando como a soma de duas frações
onde A e B
são constantes a serem determinadas. Para encontrar estas constantes somamos os dois últimos termos e comparamos o
resultado com a fração original
igualdade que só pode ser obtida se
Portanto o integrando é
e a integral procurada é
ou, usando as propriedades do logaritmo,
A integral definida: se F(x) é uma primitiva qualquer de f(x)
então a integral definida de f no intervalo [a , b] é
Mostraremos um exemplo de integral definida realizada por substituição de variável,
A substituição de variável agora envolve também a alteração dos limites de integração:
A integral então se torna
Definiremos uma sequência infinita como um conjunto infinito de números que podem ser colocados em uma relação biunívoca com o conjunto dos números inteiros positivos. Denotaremos por a uma sequência, sendo que com . são os elementos individuais desta sequência.
Exemplo 1. é a sequência com termo genérico . Neste caso
Definição: Dizemos que a sequência
converge para um número
ou tem limite se,
dado qualquer número
existe um número N tal que
Usaremos como notação
Observe que, se então
Portanto, dizer que uma sequência converge para L significa dizer que an fica arbitrariamente
próximo de L tomando-se n suficientemente grande. Se uma sequência não converge para nenhum número dizemos que ela diverge.
Exemplo 2. A sequência do exemplo 1, converge para .
Exemplo 3. A seguinte sequência converge para
Para ver isto dividimos o numerador e o denominador por ,
onde usamos o fato de que e .
Definiremos uma série infinita como a soma dos elementos de uma sequência . Denotaremos esta série por
A soma de infinitos termos não tem um significado óbvio e
imediato. Para atribuir a ela um sentido inequívoco definiremos
antes a soma dos N primeiros termos da
série, denominada a soma reduzida,
Observe agora que o conjunto destas somas reduzidas forma uma sequência
que pode convergir ou não. Dizemos que a série infinita
converge para um número L se a
sequência converge para
ou seja
Caso contrário a série diverge e denotamos
conforme o caso.
Exemplo 4. Um exemplo interesssante de uma série convergente é o seguinte:
onde, por convenção, fazemos . Este é um caso particular da série mais geral
No último exemplo a função exponencial foi escrita como uma soma infinita de termos em potências de x. As séries de potências são
particularmente importantes no estudo das equações diferenciais e são o motivo pelo qual revisamos aqui este tema. Voltaremos a elas em breve.
Os seguintes testes são os mais utilizados para a verificação de convergencia de uma série.
Teste da Comparação: Se duas séries e são séries de termos não negativos (i.e. e para todo e para todo então
Teste da Razão: Se é uma séries de termos positivos, definimos o limite
Então, se
Teste da Integral: Se é uma função positiva não crescente para então a série converge se, e somente se, a integral imprópria converge. Além disto vale a desigualdade
Exemplo 5. Usamos o teste da razão para testar a convergência da série
Temos, neste caso,
Calculamos o limite
Como concluimos que a série converge.
Uma função que pode ser expressa em termos de uma série infinita de potências em torno do ponto
| (1) |
é dita uma função analítica (neste ponto).
Os coeficientes
podem ser obtidos do seguinte modo. Calcule o valor de f
e suas derivadas no ponto x0.
Continuando este procedimento podemos calcular qualquer um dos coeficientes da série 1, obtendo
Com estes coeficientes a série é a chamada série de Taylor,
| (2) |
onde
indica a derivada n-ésima calculada no ponto x = x0.
Uma série de Maclaurin é uma série de Taylor que
descreve o comportamento de uma função em torno do ponto
.
Resumindo: Sobre a série de potências
podemos coletar as seguintes propriedades:
(i) S converge (escolhido um valor para
x) se existe o limite
(ii) Se a série converge absolutamente, ou seja, existe o limite
então ela converge.
(iii) Teste da razão: Definindo
então a série é absolutamente convergente no ponto x se R < 1
e é divergente se R > 1. O teste é inconclusivo se R = 1.
(iv) Se a série S converge em x = a então
ela converge absolutamente para x no intervalo [x - a, x+a]. Se a série S
diverge em x = a então ela diverge para x fora deste intervalo.
(v) O intervalo máximo de valores de x para os quais a série converge absolutamente é chamado o intervalo de convergência. O raio
de convergência é ρ é definido de forma que
[x0− ρ , x0+ρ] é este intervalo.
Algumas considerações finais sobre o uso do sinal de somatório podem ser úteis. O índice usado pode ser substituído de acordo com as conveniências
e as parcelas da soma podem ser agrupadas ou isoladas, como no exemplo a seguir:
Pode ser mostrado por indução que
Se uma constante, então
Uma série de potências, se convergente, pode ser derivada termo a termo e a derivada obtida desta forma será uma representação fiel da derivada da função que ela representa:
Na solução de equações diferenciais usando o método de séries de potências será útil alterar o índice para iniciar o somatório em valores diversos de . Por exemplo, podemos querer escrever a última série começando em . Para fazer isto redefinimos o índice
A derivada segunda será escrita como
onde, no último sinal de soma restauramos o índice mudo n.
Para o estudo e trabalho com a matemática, ou outra ciência exata qualquer, sempre é útil ter à disposição um bom resumo de fórmulas e propriedades matemáticas(1).
As seguintes fórmulas de uso mais frequente neste texto estão listadas abaixo para facilitar uma consulta rápida.
| onde | e | |
Alguns desenvolvimentos de Taylor:
| . | |
| . | |
| . |
Leia no site: | Devemos Acreditar na Ciência? | Hipótese, Modelo e Teoria em Física | Cosmologia - Estrutura do Universo | História da Pessoa com Deficiência |