Como demonstrar a fórmula das raízes de uma equação do segundo grau?
Queremos encontrar a solução da equação
onde a, b e c são números reais quaisquer, desde que a ≠ 0. Observe que se a = 0 ficamos com uma equação do primeiro grau, muito mais fácil de resolver. Como a não é nulo podemos dividir a equação por a. Temos então
A operação seguinte é chamada de “completar quadrados” e é muito útil em muitos contextos. Note que
ou seja, temos ai uma boa parte da equação que queremos resolver, que pode, portanto ser escrita assim:
ou ainda
Uma convenção útil consiste em denotar Δ = b2 − 4ac. Δ é a letra grega delta, que aqui define o que chamamos de discriminante da equação. (Já veremos o porque deste nome.) Temos agora
Extraindo as raízes de ambos os lados temos
e esta é a solução que procuramos, ou seja,

O termo Δ é chamado de discriminante porque podemos saber se a equação tem raízes reais ou não apenas pelo estudo de seu sinal. Existem três casos:
Δ > 0; existe real e a equação tem as duas soluções, dadas acima;
Δ = 0; e a equação tem apenas uma solução real; x = -b/2a,
Δ < 0; não existe real a equação e a equação não possui raízes reais.
As três situações estão ilustradas na figura 1, onde usamos o fato de que, se a > 0 a concavidade da parábola está voltada para cima, se a < 0 a concavidade está voltada para baixo.


Professor, e se Δ for negativo e
não existirem raízes reais?
Este é um bom momento para antecipar um tópico muito interessante e útil da matemática - os números complexos. Historicamente os complexos só foram compreendidos com o estudo das equações do terceiro grau. No entanto não precisamos de tanto para introduzir e compreender estes números. Suponha, por exemplo, que precisamos resolver a seguinte equação do segundo grau: x2 + 1 = 0..
Ela corresponde ao caso a = 1, b = 0, c = 1, da equação geral, ou seja Δ = -1; e não temos solução real. É claro que não precisamos de uma fórmula longa para compreender isto. Temos
A expressão (afirmação A) ⇒ (afirmação B) significa que a primeira afirmação implica na segunda, ou seja, que a segunda afirmação decorre logicamente da primeira. Ocorre que, sabemos que nenhum número real é raiz quadrada de −1 pois (−1)2 = + 1 e (+1)2 = + 1. Este problema intrigou os matemáticos por muito tempo, até que se propôs tratar da mesma forma como se trata um número real, e depois verificar suas propriedades. Raízes quadradas de números negativos foram chamados de imaginários e se definiu a unidade imaginária como sendo
Esta abordagem se mostrou bastante eficaz e hoje os números complexos são de grande importância teórica e aplicada. Uma vez que temos as seguintes consequências:
i2 = i × i = ()2 = − 1;
i3 = i × i × i = i2 i = − i;
i4 = i2 × i2 = (− 1) × (− 1) = + 1; etc.
Vamos ver um exemplo de como isto funciona, resolvendo a seguinte equação do segundo grau:
Identificamos a = 1, b = − 2, c = 2. O discriminante é Δ = b2 − 4.a.c = − 4. Opa! Temos ai um caso de equação que não possui raíz real. Mas, como combinado, usaremos Então
A expressão para as raízes é, portanto,
Isto significa que encontramos duas raízes distintas: x1 = 1 + i e x2 = 1 − i . Vamos verificar que de fato x1 = 1 + i é uma raíz. Substituindo este valor na equação temos
( 1 + i )2 − 2 ( 1 + i ) + 2 =
1 + 2i + i2 − 2 − 2i + 2 =
1 + 2i −1 − 2 − 2i + 2 = 0,
O que mostra que x1 = 1 + i é realmente uma raíz. Fica como um exercício para o leitor mostrar que x2 = 1 − i também é raiz!

Um número na forma de uma destas raízes, a + ib é denominado número complexo. Ele possui uma parte real, a, e uma parte imaginária, b. Eles podem ser representados por meio do chamado plano de Argand, figura 2, onde a parte real é desenhada ao longo do eixo x (horizontal), a parte imaginária ao longo do eixo y (vertical).
A expressão matemática para expressar este conceito é a seguinte: o conjunto dos números complexos é o conjunto de pares ordenados da forma de (x, y) onde x e y são números reais. O mesmo, escrito de forma compacta na notação matemática moderna é
O primeiro capítulo do no texto sobre variáveis complexas contém uma descrição da álgebra (das operações que se pode fazer com estes números) e deve ser acessível para um estudante de nível médio. Os demais capítulos exigem um conhecimento de cálculo diferencial e integral.