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11/03/2011
Variáveis Complexas
1: Números Complexos e sua Álgebra
plano complexo

1.1 História das Números Complexos

Veja a introdução deste texto ou o artigo sobre História da Matemática.

1.2 Números complexos

1.2.1 A álgebra dos complexos

Embora historicamente a necessidade de estudar os números complexos tenha surgido junto com o estudo de equações do terceiro grau, para compreender esta necessidade basta considerarmos a solução de equações do tipo

x2+1=0. (1)

Para obter uma solução definimos -1=i, a que damos o nome de unidade imaginária. Como conseqüência desta definição as raízes da equação 1 são i  e  — i pois

i2= (-1)2=-1; (-i)2=-1.

Um número complexo é um número na forma a + i b , possuindo, portanto, uma parte real a e uma parte imaginária b. O conjunto dos complexos é

= {x+i y;x,yR }.

Um número complexo qualquer, z = x + i y é composto de parte real e parte imaginária, respectivamente

Re(z)= x, Im(z)= y.

Dados dois complexos

z1=x1+i y1    e     z2=x2+i y2

as seguintes operações podem ser definidas:


Adição: z1+z2= (x1+i y1 )+(x2+i y2 )=(x1+x2 )+i(y1+y2 )

Subtração: z1-z2= (x1+i y1 )-(x2+i y2 )=(x1-x2 )+i(y1-y2 )

Multiplicação: z1z2= (x1+i y1 )(x2+i y2 )=(x1x2-y1y2 )+i(x1y2+x2y1 )

Divisão: para z2 0:

z1z2=x1+i y1x2+i y2=x1+i y1x2+i y2x2-i y2x2-i y2= (x1x2+y1y2 )+i(x2y1-x1y2 )(x2 )2+(y2 )2.

Observe que z1 = z2 se, e somente se,

x1 = x2    e    y1 = y2

de forma que uma equação complexa envolve, na verdade, duas equações reais.

1.2.2 Representação cartesiana e polar

O conjunto dos complexos pode ser representado por meio do plano complexo, em sua forma cartesiana, mostrada na figura 1(a) ou polar, figura 1(b).



Figuras 1(a) e 1(b)


As coordenadas cartesianas e polares se relacionam da seguinte forma:

{  x= r cosθ y= rsenθ   ⇒  {    r= x2+y2 θ= arctan(yx). (2)

Podemos portanto escrever z=x+i y como

z=r (cosθ+isenθ ),

onde as variáveis (r,θ ) e (x,y ) se relacionam de acordo com as expressões em 2.


Definições: O valor absoluto de z=x+i y é denotado por

|z |=x2+y2=r,

enquanto θ é chamado de argumento de z,θ=arg (z). O conjugado complexo de z é denotado por z e definido como

z=x-i y.
Figura 2: um complexo e seu conjugado

Vemos na figura 2 que |z | é a distância do ponto até a origem enquanto z é o complexo obtido de z por reflexão no eixo real.

Observe que, em termos destas definições, temos

zz= |z|2,

enquanto a divisão entre complexos pode ser escrita como

z1z2=z1z2z2z2=z1z2 |z2|2.

1.2.3 Exercícios Resolvidos:

1. Encontre as partes reais e imaginárias dos números complexos:

z1=1-i22+i  ;    z2= (1+i)8.

Racionalizamos o primeiro:

z1=1-i22+i2-i2-i=2-i-2i-23=-i,

e o segundo

z2= (1+i)8= [(1+i )2]4= (2i)4=24=16.

Portanto Re(z1 )=0,Im (z1)=-1;Re (z2)=16,Im (z2)=0.

Observe que, para racionalizar z1 multiplicamos o denominador por seu complexo conjugado, uma vez que, para qualquer complexo z, zz é sempre um real, o quadrado de seu módulo.


2. Escreva na sua forma polar e calcule os conjugados complexos de:

z3=i,z4=i1-i.

O argumento de z3 pode ser visto apenas pela posição do ponto no plano complexo, θ=π/2, enquanto seu valor absoluto é    |z3 |=12+0=1. Então

z3=i=cosπ2+isenπ2,
z3=i=-i     ou     z3=cosπ2-isenπ2.

Quanto a z4   é melhor racionalizá-lo antes,

z4=i1-i1+i1+i=-1+i2.

Portanto x=-12   e   y=12. Além disto

r= (-12)2+ (12)2=12=22,
θ=arctan (-1)=3π4.

Observe que tan (3π/4)=tan (5π/4)=-1. Tomamos então θ=3π/4 já que z4 está no segundo quadrante. Seu complexo conjugado é:

z4=-1-i2

1.2.4 Produto e quociente na forma polar

Algumas operações são mais simples se os números dados estão na forma cartesiana, como ocorre na adição. Outras podem bastante simplificadas se escrevermos os termos envolvidos em sua forma polar. Por exemplo, dados

z1=r1 (cosθ1+isenθ1 ),z2=r2 (cosθ2+isenθ2 )

encontramos seu produto

z1z2=r1r2 (cosθ1+isenθ1 )(cosθ2+isenθ2 )= r1r2 [cosθ1cosθ2-senθ1senθ2+i (cosθ1senθ2+senθ1cosθ2 )].

Usando as identidades trigonométricas:

cosA cosB-senAsenB=cos (A+B),
cosAsenB+senA cosB=sen (A+B),

obtemos

z1z2=r1r2 [cos(θ1+θ2 )+isen(θ1+θ2 )].

Isto significa que, para multiplicar dois complexos, multiplicamos seus valores absolutos e somamos seus argumentos. Para efetuar a divisão observe antes que

1cosθ1+isenθ1=1cosθ1+isenθ1cosθ1-isenθ1cosθ1-isenθ1=cosθ1-isenθ1,

observando que o denominador é cos2θ1 +sen2θ1=1. Temos então que, se z20,

z1z2=r1 (cosθ1+isenθ1 )r2 (cosθ2+isenθ2 )=r1r2 (cosθ1+isenθ1 )(cosθ2-isenθ2 )=
r1r2 (cosθ1cosθ2+senθ1senθ2 )+i (senθ1cosθ2-cosθ1senθ2 )=
r1r2 [cos(θ1-θ2 )+isen(θ1-θ2 )]. (3)

Este último resultado poder ser obtido, como antes, usando-se as fórmulas trigonométricas para a diferença de dois ângulos. Alternativamente, podemos simplesmente usar o fato de que o cosseno é uma função par enquanto o seno é ímpar, ou seja,

cos (-θ)=cosθ;sen (-θ)=-senθ. (4)

Com isto vemos que

r1r2 (cosθ1+isenθ1 )(cosθ2-isenθ2 )=r1r2 (cosθ1+isenθ1 )[cos (-θ2)+isen (-θ2) ],

o que resulta na expressão em vista do resultado já conhecido.

1.2.4 Fórmulas de de Moivre e de Euler

Considere n números complexos, expressos por

zk=rk (cosθk+isenθk ),k=1,,n.

Para multiplicar todos estes números podemos operar dois a dois até incluir os n números, obtendo

z1z2zn=r1r2rn [cos(θ1+θ2++θn )+isen (θ1+θ2++θn )].

Se todos os n fatores são iguais temos

z zz=zn=rn (cosnθ+isennθ ).

Se |z|=1 então r=1 e obtemos a fórmula de de Moivre:

(cosθ+isenθ )n=(cosnθ+isennθ ).

Observe que a fórmula acima vale também para expoentes negativos, pois, supondo n positivo,

(cosθ+isenθ )-n=1 (cosθ+isenθ )n=1cosnθ+isennθ=cosnθ-isennθ.

Além disto, lembrando que o cosseno é par e o seno é ímpar podemos escrever

(cosθ+isenθ )-n=cos (-nθ)+isen (-nθ),

que é a fórmula de de Moivre para expoentes negativos.

As expansões em séries de potências para funções que possuem todas as derivadas em determinado ponto são as chamadas séries de Taylor e MacLaurin. Veja o apêndice ao texto sobre Equações Diferencais para uma revisão sobre este assunto.

Outra expressão importante foi obtida por Euler da seguinte forma: partimos das expansões em séries de potências (1) para as funções exponencial, seno e cosseno, respectivamente

ex=1+x+x22!+x33!++xnn!+,
senx=x-x33!+x55!-x77!+
cosx=1-x22!+x44!-x66!+.

Fazendo x=iθ no argumento da exponencial obtemos

eiθ=1+iθ+ (iθ)22!+ (iθ)33!++ (iθ)nn!+=
=1+iθ-θ22!-iθ33!+θ44!+iθ55!-.

Agrupando os termos reais e imaginários temos

eiθ=1-θ22!+θ44!-+i (θ-θ33!+θ55!- ).

Podemos agora identificar a parte real com o cosseno e a parte imaginária com o seno e, portanto,

eiθ=cosθ+isenθ.

Ela nos permite escrever números complexos em uma forma alternativa, muito útil para a realização de diversas operações,

z=x+i y=r (cosθ+isenθ )=r eiθ.

Esta expressão permitiu a Euler escrever a equação

eiπ=-1,

considerada por muitos como uma das mais belas equações matemáticas já escritas, onde se reune quatro importantes constantes: e, π, i    e    1.

Observe ainda que, nesta representação, o complexo conjugado é

z=r (cosθ-isenθ )=r e-iθ,

onde usamos a paridade das funções trigonométricas, descrita na equação 4. A multiplicação e divisão dos complexos se torna bem mais simples se eles estão escritos em sua forma exponencial. Se     z1=r1eiθ1     e     z2=r2eiθ2 temos o produto

z1z2= (r1eiθ1 )(r2eiθ2 )=r1r2ei (θ1+θ2 ),
e o quociente
z1z2=r1eiθ1r2eiθ2=r1r2ei (θ1-θ2 ).

Igualmente simples são as operações de potenciação,

zn= (r eiθ )n=rnei nθ,
z-n=1rne-i nθ.

1.2.6 Extração de raízes

Dados dois números complexos, z,p dizemos que z é a raíz enésima de p, z=pn, se zn=p. Tomando p=r(cosθ+isenθ ) sabemos que

z0=rn (cosθn+isenθn )

é uma raiz pois z0n=p. No entanto existem outras raizes, sob a forma de

zk=pn=rn [cos(θ+2kπn )+isen(θ+2kπn )],

onde k é um inteiro. Isto está correto porque

zkn=r [cos(θ+2kπ )+isen(θ+2kπ )]=r [cosθ+isenθ ]=p,

uma vez que o seno e o cosseno são funções periódicas de período 2π. Observe que se fizermos k=n então

zn=rn [cos(θn+2π )+isen(θn+2π )]=z0,

ou seja, retornamos à raiz correspondente à k=0. Existem portanto n raízes n-ésimas distintas de um número complexo qualquer p0,

zk=rn [cos(θ+2kπn )+isen(θ+2kπn )],k=0,1,,n-1. (5)

1.2.7 Exercícios Resolvidos

1. Calcule as raízes n-ésimas de 1.

Primeiro representamos 1 em sua forma polar, correspondendo à r=1,θ=0. Logo 1=cos0+isen0. Agora podemos extrair as raizes

wk=cos2kπn+isen2kπn.

Observe que, se denotarmos

w=cos2πn+isen2πn,

podemos representar as demais raízes por meio da fórmula de de Moivre,

wk=cos (2kπn )+isen(2kπn ).

Estas são as chamadas raízes da unidade, w=1n, dadas por:

1,w,w2,,wn-1.

2. Como caso particular do exercício acima vamos encontrar as raízes quartas de da unidade, 14.

Figura 3.

Estas raízes são 1,w,w2,w3 onde

w=cosπ2+isenπ2=i.

As demais raízes são

w2=i2=-1,e w3=i3=-i.

As raízes são, portanto: 1, i, -1,-i.


Observe que a fórmula 5 para as raízes de um número qualquer pode ser escrita como

zk=rn (cosθn+isenθn )(cos2kπn+isen2kπn )=rn (cosθn+isenθn )wk.

Dai se conclui que as raízes de um número z qualquer são dadas pelo produto de uma de suas raízes com as raízes n-ésimas da unidade.


3. Calcule as raízes cúbicas de 27.

Figura 4.

Uma das raízes é 3. As raízes cúbicas da unidade são 1,w, w3, onde

w=cos2π3+isen2π3=-12+i32.

As raízes são, portanto,

z0= 3,
z1=3 (cos2π3+isen2π3 )=-32+i332,
z2=3 (cos4π3+isen4π3 )=-32-i332.

As três raízes estão sobre um círculo de raio 3 e são representadas graficamente na figura 4.


4. Calcule as raízes cúbicas de 1 e as represente graficamente no plano complexo.

Começamos por escrever em forma polar

-13=cosπ+isenπ3.

Sabemos que temos três raíz:

zk=cosπ+2kπ3+isenπ+2kπ3,k=0,1,2.

Portanto

z0=cosπ3+isenπ3=12 (1+i3 ),
z1=cosπ+isenπ=-1,
z2=cos5π3+isen5π3=12 (1-i3 ).

Note que, se fizermos k=3 obteremos novamente a raiz z0.


5. Calcule as raízes quadradas de i, a unidade imaginária.

Observe que

-i=cos3π/2+isen3π/2.

As duas raízes são, portanto:

zk=cos (3π4+kπ )+isen (3π4+kπ ),k=0,1,

ou seja

z0=cos3π4+isen3π4=22 (-1+i),
z1=cos7π4+isen7π4=22 (1-i),

Representamos graficamente as raízes obtidas nos dois exercícios na figura 5(a) e (b).



Figuras 5(a) e (b)

6. Decomponha o polinômio P(z)=z3+1 em um produto de fatores do primeiro grau. As raízes de P(z) são as soluções de z3=-1 e já foram encontradas em exemplo resolvida. Usando o teorema fundamental da álgebra temos

P(z )=(z-z0 )(z-z1 )(z-z2 )

ou seja

P(z )=(z+1 )(z-12-i32 )(z-12+i32 ).

1.3 Subconjuntos de

Algumas definições são necessárias para a continuidade de nosso estudo e a solução dos próximos exercícios. Façamos uma lista destas definições:


(i) Um disco aberto é a região

Dr (z0)= {z;|z-z0 |<r},

e está representada graficamente na figura 6 abaixo.


Exemplo: Vamos discutir com algum detalhe o conjunto

Dr (z0)= {z;|z-z0 |<r},

onde z0 é um ponto fixo do plano complexo.

Se denotarmos z=x+i y e z0=x0+i y0 então |z-z0 |=(x-x0 )2+(y-y0 )2. Portanto os pontos de Dr (z0) satisfazem a relação (x-x0 )2+(y-y0 )2<r2, ou seja, são os pontos interiores ao círculo de raio r e centro em z0.

Alternativamente, podemos chegar à mesma conclusão visualizando geometricamente este conjunto, como exibido na figura 6. Observe que |z-z0 | é a distância entre um ponto z arbitrário e o ponto fixo z0. A relação |z-z0 |<r só é satisfeita pelos pontos interiores ao círculo já descrito.


Figura 6.


(ii) Uma vizinhança de z0, que denotaremos por Vr (z0), é qualquer subconjunto de que contenha Dr (z0).


Figura 7.


Na figura 7 por exemplo, à esquerda, V é uma vizinhança do ponto p pois contém Dr (p), um disco aberto com centro em p. Por outro lado, á direita, vemos que um retângulo V não é vizinhança de nenhuma de suas arestas.

(iii) Dado um conjunto de C, chamaremos de seu complementar o conjunto C=-C, o conjunto dos pontos do plano complexo que não estão em C.

(iv) Um ponto z0 qualquer é dito um ponto interior de C se existe um disco aberto centrado em z0 inteiramente contido em C.

(v) Um conjunto é aberto se todos os seus pontos são pontos interiores. Um conjunto é fechado se seu complementar é aberto.

(vi) A fronteira de C é o conjunto de pontos z tais que qualquer vizinhança de z contém pontos de C e de seu complementar. Pontos da fronteira de C podem ou não pertencer a este conjunto. Com esta definição percebemos que nenhum ponto interior de um conjunto é um ponto de fronteira.


Figura 8.


(vii) C é um conjunto aberto se não contém pontos de sua fronteira. C é fechado se contém todos os pontos de sua fronteira.

(viii) z0 é um ponto de acumulação de C se qualquer vizinhança de z0 contém infinitos ponto de C. Portanto, pontos do interior e pontos da fronteira, pertencendo ou não a C, são pontos de acumulação. Um ponto isolado de C é um ponto de C que não é ponto de acumulação.


Exemplo: No conjunto infinito

C= {0,12,23,34,,nn+1, }

1 é o único ponto de acumulação, sendo todos os outros pontos isolados. Note que este único ponto de acumulção não está contido em C.


(ix) Um aberto C é conexo se dois quaisquer de seus pontos podem ser unidos por um arco inteiramente contido em C. Uma região é um conjunto aberto e conexo.

Figura 9.

Na figura 9(a) o conjunto é conexo, enquanto o conjunto mostrado em 9(b) não é.

(x) C é limitado se existe um número k positivo tal que |z|k, zC. Um conjunto limitado e fechado é dito compacto.

(xi) No conjunto Vk= {zC;|z |>k} incorporamos o infinito (um único ponto!) para formar o chamado plano complexo extendido.


Exemplo: |z-3i |<5 é o disco aberto interior ao círculo de raio 5 e centro em 3i, como na figura 10(a). O conjunto z=z0+r eiθ,0θ2π, é a circunferência de centro em z0 e raio r.


Figura 10.

Na figura 10(b) está representado o conjunto z=z0+reiθ, que consiste naqueles pontos de com centro em z0 e raio r. O mesmo conjunto, representado em coordenadas cartesianas seria descrito por

x+iy=x0+iy0+r(cosθ+isenθ),

ou seja

x=x0+rcosθ;y=y0+rsenθ.

Figura 11.

Exemplo: Qual é o conjunto Re (z2)<0? Observamos primeiro que

Re(z2 )=Re(r2e2iθ )=r2cos2θ.

cos2θ é negativo em duas situações: π/2<2θ<3π/2 ou -3π/2<2θ<-π/2. O conjunto procurado é a parte do plano complexo dado por

π4<θ<3π4ou -3π4<θ<-π4,

que é a região delimitada pelas retas bissetrizes, como representado na figura 11.


1.3.1 Exercícios

(1) Dados z1 = 3 + 5i   e   z2 = —2 + i calcule z1 + z2, z1z2, z1˙ z2   e   z1 / z2.
Represente graficamente cada um dos números complexos envolvidos.


(2) Calcule:

  (a)  12+3i   (b)  1+i1-i   (c)  1-i1+i   (d)  4-3ii-1   (e)  1(1+i )2   (f)  (1+i1-i )30   (g)  (1-i )(3+i ).


(3) Mostre que

(a)   n=0Nin= { 1,  se    r=0, 1+i,  se    r=1, i,  se    r=2, 0,  se    r=3,

onde r é o resto da divisão de N por 4 seja, Nrmod4.

(b)   (x+i y )2=x2-y2+2i x y

(c)   (x-i y )2=x2-y2-2i x y

(d)   (x+i y )2(x-i y )2=(x2+y2 )2

(e)   (x+i y )n(x-i y )n=(x2+y2 )n


(4) Mostre que

(a)   Re[-i (2-3i)2] =-12

(b)   1-i22 +i=-i

(c)   Im[ (1-i3)2 i-2]=25 (1+23)

(d)   1+i tanθ1-i tanθ=cos2θ+isen2θ


(5) Escreva na forma polar e represente graficamente:

(a)   -2+2i (b)   1+i3 (c)   -3+i (d)   (i1+i )5 (e)   1-1-i3 (f)   -1-i (g)   -3+3i1+i3.

(6) Mostre que:

(a)   cos3θ= cos3θ-3cosθsen2θ
(b)   sen3θ=- sen3θ+3cos2θsenθ.

{Sugestão: calcule as partes real e imaginária de (cosθ +isenθ )3.}

(7) Mostre que: (a)   |2+i2-i3 |=57 (b)   | (3+i) (1-3i)5 |=22.


(8) Encontre as raízes e represente-as graficamente:

(a)   -13 (b)   2i (c)   -2i (d)   i3 (e)   -i3 (f)   (-1+i3 )1/4.

(9) Decomponha o polinômio em fatores do 2o. grau com coeficientes reais:

(a)   P(x )=x4+1    (b)   P(x )=x4+9


(10) Decomponha os polinômios em um produto de fatores do primeiro grau:

(a)   P(z )=z6-64    (b)   P(z )=z6+64    (c)   P(z )=z4- (1-i)z2-i.

(11) Mostre que, se w é uma raíz n-ésima qualquer da unidade diferente de 1 (w=1, w1) então

(a)   1+w+w2++wn-1=0.
(b)   1+2w+3w2++n wn-1=nw-1.

(12) Escreva na forma exponencial, z=r eiθ:

(a)   1+i (b)   1-i (c)   -1+i (d)   -1-i.


(13) Mostre que:

(a)   exp (3+7πi )=-e3    (b)   exp(3-2πi6 )=e (1-i3 )2 (c)   cosθ=eiθ+e-iθ2    (d)   senθ=eiθ-e-iθ2i


(14) Represente graficamente os conjuntos no plano complexo:

(a)   Re(z) <-3    (b)   |z-2i|> 2    (c)   |z+1|2    (d)   |z-1+i| <3 (e)   Im(z2 )<0    (f)   |z-2 |=|z-3i |    (g)   |z |>2,|arg (z)|<π    (h)   Re(1-z )=|z |.



1.3.2 Algumas Soluções

(3a) Queremos mostrar que

n=0Nin= { 1, se r=0, 1+i, se r=1, i, se r=2, 0, se r=3,

onde r é o resto da divisão de N por 4 seja, Nrmod4. Denotando N=4p+r, onde p é um inteiro, observamos que

iN=i4p+r=i4pir=ir (6)

pois i4p= (i4)p=1. Este resultado é válido inclusive se N<4 quando p=0. Vamos escrever a soma procurada como

SN=n=0Nin=1+i+i2++iN

e, portanto,

i SN=n=0Nin+1=i+i2+i3++iN+1.

Subtraindo

SN-i SN=SN (1-i)=1-iN+1

temos uma expressão adicional para a soma procurada, ou seja

SN=1-iN+11-i=1-ir+11-i=Sr

onde a última igualdade é devida à expressão 6. Isto significa que somar todos os N termos equivale a somar os r primeiros termos:

S0=n=00in=1,S1=n=01in=1+i,
S2=n=02in=1+i+i2=i,S3=n=03in=1+i+i2+i3=0.

Veremos que um procedimento semelhante facilitará a solução das questões 11a e 11b.


(3e) (x+i y )n(x-i y )n=znzn= (zz )n=( |z|2)n= (x2+y2 )n.


(9a) Decomponha o polinômio P (x)=x4+1 em fatores do 2o. grau com coeficientes reais. Para fazer isto usaremos o produto notável (a+b )(a-b)=a 2-b2. Escrevemos 1=-i2 e assim

P(x) =x4-i2= (x2+i)(x 2-i).

Os dois fatores, no entanto, contém coeficientes complexos. Para obter a decomposição com coeficientes reais podemos usar a raíz de i:

i=w2w=1+i2.

Tomando o conjugado complexo de i=w2 obtemos -i=w2 reescrevemos o polinômio

P(x )=(x2-w2 )(x2-w2 )=(x+w )(x-w )(x+w )(x-w ).

Reagrupando os termos de forma conveniente temos

P(x )=[(x+w )(x+w )][ (x-w) (x-w )]=(x2+wx+w x+ww )(x2-w x-wx+ww ).

Usando agora as seguintes propriedades

w+w=2Rew=22=2
ww= |w|2= (12)2+ (12)2=1,

podemos completar o exercício:

P(x )=(x2+2x+1 )(x2-2x+1 ).

(11) Sendo w é uma raíz n-ésima qualquer da unidade diferente de 1 (w=1, w1) então:

(a) 1+w+w2++wn-1=0. Escrevemos

L=1+w+w2++wn-2+wn-1
w L=w+w2++wn=w+w2++wn-1+1,

onde usamos wn=1. Observemos acima que w L=L donde

w L-L=L (w-1)=0.

Como w1 concluímos que L=0.


(b) 1+2w+3w2++n wn-1=nw-1. Definimos

S=1+2w+3w2++n wn-1,

portanto

w S=w+2w2+3w3++n wn=w+2w2+3w3++n.

Dai

S(1-w )=1+w+w2++wn-1-n.

Usando o resultado do ítem anterior 1+w+w2++wn-1=0 e

S=nw-1.

(13a) exp (3+7πi)=e3e7πi=-e3. Observe que e7πi=e6πieπi= -1.

(14h) Buscamos conjunto no plano complexo satisfazendo Re (1-z)= |z|. Escrevendo z em forma cartesiana, temos que

z-1=x-1+i y.

Sua parte real é Re(1-z )=x-1 e Re(1-z )=|z|x-1=x2+y2. Elevando os dois lados ao quadrado temos

x2+y2= (x-1)2=1-2x+x2

que é a parábola

x=12 (1-y2 ).

Funções Analíticas

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