Veja a introdução deste texto ou o artigo sobre História da Matemática.
Embora historicamente a necessidade de estudar os números complexos tenha surgido junto com o estudo de equações do terceiro grau, para compreender esta necessidade basta considerarmos a solução de equações do tipo
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Para obter uma solução definimos a que damos o nome de unidade imaginária. Como conseqüência desta definição as raízes da equação 1 são i e — i pois
Um número complexo é um número na forma a + i b , possuindo, portanto, uma parte real a e uma parte imaginária b. O conjunto dos complexos é
Um número complexo qualquer, z = x + i y é composto de parte real e parte imaginária, respectivamente
Dados dois complexos
as seguintes operações podem ser definidas:
Adição:
Subtração:
Multiplicação:
Divisão: para
Observe que z1 = z2 se, e somente se,
de forma que uma equação complexa envolve, na verdade, duas equações reais.
O conjunto dos complexos pode ser representado por meio do plano complexo, em sua forma cartesiana, mostrada na figura 1(a) ou polar, figura 1(b).

Figuras 1(a) e 1(b)
As coordenadas cartesianas e polares se relacionam da seguinte forma:
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Podemos portanto escrever como
onde as variáveis e se relacionam de acordo com as expressões em 2.
Definições: O valor absoluto de é denotado por
enquanto é chamado de argumento de O conjugado complexo de é denotado por e definido como
Vemos na figura 2 que é a distância do ponto até a origem enquanto é o complexo obtido de por reflexão no eixo real.
Observe que, em termos destas definições, temos
enquanto a divisão entre complexos pode ser escrita como
1. Encontre as partes reais e imaginárias dos números complexos:
Racionalizamos o primeiro:
e o segundo
Portanto
Observe que, para racionalizar multiplicamos o denominador por seu complexo conjugado, uma vez que, para qualquer complexo , é sempre um real, o quadrado de seu módulo.
2. Escreva na sua forma polar e calcule os conjugados complexos de:
O argumento de z3 pode ser visto apenas pela posição do ponto no plano complexo, enquanto seu valor absoluto é Então
Quanto a z4 é melhor racionalizá-lo antes,
Portanto e Além disto
Observe que Tomamos então já que está no segundo quadrante. Seu complexo conjugado é:
Algumas operações são mais simples se os números dados estão na forma cartesiana, como ocorre na adição. Outras podem bastante simplificadas se escrevermos os termos envolvidos em sua forma polar. Por exemplo, dados
encontramos seu produto
Usando as identidades trigonométricas:
obtemos
Isto significa que, para multiplicar dois complexos, multiplicamos seus valores absolutos e somamos seus argumentos. Para efetuar a divisão observe antes que
observando que o denominador é Temos então que, se
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Este último resultado poder ser obtido, como antes, usando-se as fórmulas trigonométricas para a diferença de dois ângulos. Alternativamente, podemos simplesmente usar o fato de que o cosseno é uma função par enquanto o seno é ímpar, ou seja,
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Com isto vemos que
o que resulta na expressão em vista do resultado já conhecido.
Considere n números complexos, expressos por
Para multiplicar todos estes números podemos operar dois a dois até incluir os n números, obtendo
Se todos os n fatores são iguais temos
Se então e obtemos a fórmula de de Moivre:
Observe que a fórmula acima vale também para expoentes negativos, pois, supondo n positivo,
Além disto, lembrando que o cosseno é par e o seno é ímpar podemos escrever
que é a fórmula de de Moivre para expoentes negativos.
Outra expressão importante foi obtida por Euler da seguinte forma: partimos das expansões em séries de potências (1) para as funções exponencial, seno e cosseno, respectivamente
Fazendo no argumento da exponencial obtemos
Agrupando os termos reais e imaginários temos
Podemos agora identificar a parte real com o cosseno e a parte imaginária com o seno e, portanto,
Ela nos permite escrever números complexos em uma forma alternativa, muito útil para a realização de diversas operações,
Esta expressão permitiu a Euler escrever a equação
considerada por muitos como uma das mais belas equações matemáticas já escritas, onde se reune quatro importantes constantes: e, i e 1.
Observe ainda que, nesta representação, o complexo conjugado é
onde usamos a paridade das funções trigonométricas, descrita na equação 4. A multiplicação e divisão dos complexos se torna bem mais simples se eles estão escritos em sua forma exponencial. Se e temos o produto
Igualmente simples são as operações de potenciação,
Dados dois números complexos, dizemos que é a raíz enésima de se Tomando sabemos que
é uma raiz pois No entanto existem outras raizes, sob a forma de
onde é um inteiro. Isto está correto porque
uma vez que o seno e o cosseno são funções periódicas de período Observe que se fizermos então
ou seja, retornamos à raiz correspondente à Existem portanto n raízes ésimas distintas de um número complexo qualquer ,
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1. Calcule as raízes n-ésimas de 1.
Primeiro representamos em sua forma polar, correspondendo à Logo Agora podemos extrair as raizes
Observe que, se denotarmos
podemos representar as demais raízes por meio da fórmula de de Moivre,
Estas são as chamadas raízes da unidade, dadas por:
2. Como caso particular do exercício acima vamos encontrar as raízes quartas de da unidade,
Figura 3.
Estas raízes são onde
As demais raízes são
As raízes são, portanto: ,
Observe que a fórmula 5 para as raízes de um número qualquer pode ser escrita como
Dai se conclui que as raízes de um número qualquer são dadas pelo produto de uma de suas raízes com as raízes n-ésimas da unidade.
3. Calcule as raízes cúbicas de 27.
Figura 4.
Uma das raízes é As raízes cúbicas da unidade são onde
As raízes são, portanto,
As três raízes estão sobre um círculo de raio 3 e são representadas graficamente na figura 4.
4. Calcule as raízes cúbicas de 1 e as represente graficamente no plano complexo.
Começamos por escrever em forma polar
Sabemos que temos três raíz:
Portanto
Note que, se fizermos obteremos novamente a raiz
5. Calcule as raízes quadradas de i, a unidade imaginária.
Observe que
As duas raízes são, portanto:
ou seja
Representamos graficamente as raízes obtidas nos dois exercícios na figura 5(a) e (b).

6. Decomponha o polinômio em um produto de fatores do primeiro grau. As raízes de P(z) são as soluções de e já foram encontradas em exemplo resolvida. Usando o teorema fundamental da álgebra temos
ou seja
Algumas definições são necessárias para a continuidade de nosso estudo e a solução dos próximos exercícios. Façamos uma lista destas definições:
(i) Um disco aberto é a região
e está representada graficamente na figura 6 abaixo.
Exemplo: Vamos discutir com algum detalhe o conjunto
onde z0 é um ponto fixo do plano complexo.
Se denotarmos e então Portanto os pontos de satisfazem a relação ou seja, são os pontos interiores ao círculo de raio e centro em
Alternativamente, podemos chegar à mesma conclusão visualizando geometricamente este conjunto, como exibido na figura 6. Observe que é a distância entre um ponto arbitrário e o ponto fixo z0. A relação só é satisfeita pelos pontos interiores ao círculo já descrito.
Figura 6.
(ii) Uma vizinhança de que denotaremos por , é qualquer subconjunto de que contenha
Figura 7.
Na figura 7 por exemplo, à esquerda
(iii) Dado um conjunto de , chamaremos de seu complementar o conjunto o conjunto dos pontos do plano complexo que não estão em
(iv) Um ponto qualquer é dito um ponto interior de se existe um disco aberto centrado em inteiramente contido em
(v) Um conjunto é aberto se todos os seus pontos são pontos interiores. Um conjunto é fechado se seu complementar é aberto.
(vi) A fronteira de é o conjunto de pontos tais que qualquer vizinhança de contém pontos de e de seu complementar. Pontos da fronteira de podem ou não pertencer a este conjunto. Com esta definição percebemos que nenhum ponto interior de um conjunto é um ponto de fronteira.
Figura 8.
(vii) é um conjunto aberto se não contém pontos de sua fronteira. é fechado se contém todos os pontos de sua fronteira.
(viii) é um ponto de acumulação de se qualquer vizinhança de contém infinitos ponto de Portanto, pontos do interior e pontos da fronteira, pertencendo ou não a são pontos de acumulação. Um ponto isolado de é um ponto de que não é ponto de acumulação.
Exemplo: No conjunto infinito
1 é o único ponto de acumulação, sendo todos os outros pontos isolados. Note que este único ponto de acumulção não está contido em C.
(ix) Um aberto é conexo se dois quaisquer de seus pontos podem ser unidos por um arco inteiramente contido em Uma região é um conjunto aberto e conexo.
Figura 9.
Na figura 9(a) o conjunto é conexo, enquanto o conjunto mostrado em 9(b) não é.
(x) é limitado se existe um número k positivo tal que Um conjunto limitado e fechado é dito compacto.
(xi) No conjunto incorporamos o infinito (um único ponto!) para formar o chamado plano complexo extendido.
Exemplo: é o disco aberto interior ao círculo de raio 5 e centro em 3i, como na figura 10(a). O conjunto é a circunferência de centro em z0 e raio r.
Figura 10.
Na figura 10(b) está representado o conjunto , que consiste naqueles pontos de com centro em z0 e raio r. O mesmo conjunto, representado em coordenadas cartesianas seria descrito por
ou seja
Figura 11.
Exemplo: Qual é o conjunto Observamos primeiro que
é negativo em duas situações: ou O conjunto procurado é a parte do plano complexo dado por
que é a região delimitada pelas retas bissetrizes, como representado na figura 11.
(1) Dados z1 = 3 + 5i e z2 = —2 + i
calcule z1 + z2, z1 — z2,
z1˙ z2 e z1 / z2.
Represente graficamente cada um dos números complexos envolvidos.
(2) Calcule:
(3) Mostre que
(a)
onde r é o resto da divisão de N por 4 seja,
(b)
(c)
(d)
(e)
(4) Mostre que
(a)
(b)
(c)
(d)
(5) Escreva na forma polar e represente graficamente:
(6) Mostre que:
(a)
(b)
{Sugestão: calcule as partes real e imaginária de }
(7) Mostre que: (a) (b)
(8) Encontre as raízes e represente-as graficamente:
(9) Decomponha o polinômio em fatores do grau com coeficientes reais:
(a) (b)
(10) Decomponha os polinômios em um produto de fatores do primeiro grau:
(a) (b) (c)
(11) Mostre que, se é uma raíz n-ésima qualquer da unidade diferente de 1 ( ) então
(12) Escreva na forma exponencial, :
(13) Mostre que:
(14) Represente graficamente os conjuntos no plano complexo:
(3a) Queremos mostrar que
onde é o resto da divisão de N por 4 seja, Denotando , onde é um inteiro, observamos que
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pois Este resultado é válido inclusive se quando Vamos escrever a soma procurada como
e, portanto,
Subtraindo
temos uma expressão adicional para a soma procurada, ou seja
onde a última igualdade é devida à expressão 6. Isto significa que somar todos os N termos equivale a somar os r primeiros termos:
Veremos que um procedimento semelhante facilitará a solução das questões 11a e 11b.
(3e)
(9a) Decomponha o polinômio em fatores do grau com coeficientes reais. Para fazer isto usaremos o produto notável Escrevemos e assim
Os dois fatores, no entanto, contém coeficientes complexos. Para obter a decomposição com coeficientes reais podemos usar a raíz de i:
Tomando o conjugado complexo de obtemos reescrevemos o polinômio
Reagrupando os termos de forma conveniente temos
Usando agora as seguintes propriedades
podemos completar o exercício:
(11) Sendo é uma raíz -ésima qualquer da unidade diferente de 1 ( ) então:
(a) Escrevemos
onde usamos . Observemos acima que donde
Como concluímos que
(b) Definimos
portanto
Dai
Usando o resultado do ítem anterior e
(13a) Observe que
(14h) Buscamos conjunto no plano complexo satisfazendo Escrevendo z em forma cartesiana, temos que
Sua parte real é e Elevando os dois lados ao quadrado temos
que é a parábola
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