Nunca na vida, em nenhuma conversa de bar, em família ou no trabalho, eu ouvi alguém sequer se perguntar se existe algum problema ético relacionado à venda de cigarros. Esta aceitação tácita me surpreende.
Vender cigarros não é ilegal e talvez por isto pareça ser algo mais aceitável que vender maconha ou outras drogas proibidas. No entanto o cigarro é também uma droga, embora raramente as pessoas se referiram a ele desta forma. Ele serve apenas para provocar o vício, para extrair dinheiro dos desavisados, de jovens ou viciados, e para, surpreendentemente, viciar. Os malefícios do cigarro, sendo bem conhecidos, não serão lembrados aqui. Para resumir digamos apenas que:
O cigarro encurta a vida das pessoas, não em anos mas em décadas!
Além disto, a despeito dos impostos sobre seu valor de venda, ele custa muito caro para os cofres públicos, não sendo, em termos financeiros amplos, um bom negócio. Existe uma diferença entre a venda de cigarros e a de bebidas alcóolicas, por exemplo. Se usadas com moderação as bebidas alcóolicas podem ser socialmente agradáveis e podem até produzir efeitos benéficos para a saúde. Mas o cigarro é altamente viciante e nocivo em qualquer dose. Até mesmo a inalação indireta da fumaça por fumantes secundários ou passivos é deletéria. Ainda mais revoltante é a constatação de que a indústria tabageira tem nos jovens o seu alvo preferido na obtenção de novos consumidores.
Quando você inicia o hábito de fumar você está sendo manipulado por todos aqueles que lucram com a destruição de sua saúde!
Não se pode negar que muitas pessoas tiram o seu sustento da plantação do fumo, da produção de cigarros e sua venda. Por este motivo as campanhas internacionais contra a difusão do fumo encontram sempre fortes barreiras locais. Este é um argumento, no entanto, fraco e tendencioso. Com o mesmo argumento se poderia defender a produção da maconha, de cocaína e de todas as outras drogas que geram grandes riquezas. Além disto as áreas hoje alocadas ao plantio do fumo poderiam ser remanejadas, por exemplo, para a produção de alimentos, estes sim, de grande necessidade em um mundo onde as áreas agriculturáveis são escassas e a produção é insuficiente para alimentar a todos.
Seu hábito de fumar significa uma criança a mais passando fome no mundo!
Produtores rurais de fumo, que tanto defendem a indústria e comércio tabageiro, são fortemente afetados pelas grandes quantidades de agrotóxicos usados para obter safras cada vez melhores e fartas. Isto danifica a saúde dos agricultores e o ecossistema.
Esta não é uma defesa da proibição do cultivo, da produção ou uso do fumo. A experiência histórica mostra que a proibição por parte do estado não atinge os efeitos práticos desejados e ainda cria outros problemas de ordem muito superiores, com a marginalização desta fonte de riqueza questionável. O apelo então deve ser voltado para a conscientização das pessoas, todas as pessoas, usuários ou não, produtores, comerciantes e seus frequeses. Assim como ocorre com todas as demais drogas com seus variados graus de perigo oferecidos para o corpo e mente daqueles por elas escravizados, o único caminho eficaz a longo prazo, a meu ver, consiste na crescente conscientização das pessoas. O conhecimento do efeito nocivo do cigarro, não apenas aquele que o indivíduo impõe a si mesmo mas também das perdas socias e ecológicas importantes pode produzir no usuário a busca de uma vida mais saudável e sensata, do ponto de vista médico, social ou econômico.
Um bom ponto de partida seria o sumiço dos pontos de venda, principalmente em pequenos mercados, lanchonetes e (quem sabe um dia?) nos bares. Qualquer um que se beneficie da venda de cigarros deveria se perguntar a que custo ele conseguiu um determinado lucro ao fim do dia ou do mes. Todas as pessoas deveriam se perguntar:
É ético vender cigarros?
Se você concorda com este texto, mesmo achando que este conceito não é realizável para a mentalidade atual dos comerciantes, divulgue este artigo! Comente neste site as suas idéias, envie novas propostas de atuação. Escreva seu próprio artigo de protesto! Poste um link em sua rede social favorita ou envie este link por email para seus amigos. Escreva para as companhias que produzem e comercializam o cigarro.
Imprima o panfleto anexo (no formato pdf colorido ou preto e branco) e distribua para seus amigos, em mercados e bares ou até mesmo em supermercados de maior porte.
Nota: O cigarro não é, de forma alguma, o único problema com o qual temos que lidar. Ele nem sequer é o maior dos problemas! No entanto o processo de conscientização é a maior ferramenta. Temos que começar de alguma forma e uma sociedade livre do tabagismo, desperta para este problema em particular, certamente estará mais apta a discutir problemas maiores e mais entranhados.
Isto se chama ÉTICA!
Se, para ganhar a vida, para a sua diversão e lazer ou para manter seus hábitos de consumo usuais e cotidianos, você causa dano ao meio ambiente ou à saúde e bem estar das pessoas, se provoca o aumento da fome, da desigualdade social e da violência, mude de profissão!
Recuse-se em contribuir para um sistema cruel que privilegia alguns e massacra a maioria.
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