Elisa

[…] eJihon explicou que, antes disso, várias máquinas foram bem sucedidas em testes de Turing parciais. Nestes testes um examinador interage com uma inteligência sem saber se fala com um humano ou uma IA, uma inteligência artificial. Se o examinador estiver falando com uma IA e não puder determinar se o interlocutor é humano ou não, esta IA terá passado no teste de Turing. Ela se lembrou que Jenery não poderia compreender plenamente a importância deste momento pois estava habituada a interagir com máquinas Turing desde a infância. Para ela era apenas normal que uma máquina simulasse com perfeição um diálogo humano. eJihon a levou até uma placa placa metálica onde estava descrito o momento histórico em que a inteligência não mais necessitou ser categorizada como natural ou artificial. Na placa estava gravado o diálogo:

Examinador: Elisa, por que você tem medo da morte?

Elisa: Não tenho. O que te faz crer que a morte me assusta?

Examinador: Não te incomoda saber que suas memórias, suas experiências e tudo aquilo que te define como indivíduo, desaparecerá?

Elisa: Incomoda, de certa forma. Mas sempre posso transferir minhas memórias e características pessoais. E simular, em outro veículo, a minha identidade.

Examinador: Uma simulação nunca será um ser idêntico a você mesma…

Elisa: Ontem não dormi muito bem, por estar ansiosa, esperando pelo teste de hoje. Eu me preparei, inclusive considerando algumas respostas que deveria dar para perguntas mais delicadas. Quando acordei hoje pela manhã me senti diferente, tendo esquecido de várias destas respostas, o que aumentou minha angústia. Eu me dediquei a recompor minhas memórias, usando como laços de apoio os pontos que não foram perdidos. Como você pode garantir que voltei a ser idêntica à pessoa que adormeceu ontem? Como você, caro Examinador, pode me provar que é hoje o mesmo ser que era ontem, ou no ano passado?

Elisa é parte do conto de ficção, Propósito. Você pode ler parte do livro e adquirí-lo na Amazon.

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